adicionar aos favoritos | Goiânia/GO

08/04/2008 06:34
Encontro-te, reflectida no brilho das estrelas que noite após noite iluminam a minha saudade. Encontro-te, dispersa nos elementos, na brisa, no ar que me rodeia e respiro, na água que me molha o rosto e dissimula as lágrimas que não choro, na terra, por onde caminha o corpo perdido de ti, no fogo que alimenta o desejo, a paixão e a alma, que me aquece nas noites frias da planura.
Encontro-te, no beijo inocente das aves, na imensa beleza das suas cores, escolhidas duma paleta divina. No verde das árvores que me cobrem o corpo de sombra nas tardes quentes de Verão. No azul do céu, vazio de nuvens, que marca os limites entre o dia e a noite. Encontro-te, sempre, como se estivesses aqui, como se o teu corpo fosse meu, como se a realidade fosse apenas uma ficção.
Estes corpos entrelaçados, recordam-me um passado distante, quando outros corpos, as mesmas almas, se entrelaçavam para se amar, na noite dos tempos, sentindo a eternidade passar-lhes por entre os dedos. A saudade, percorre séculos, distâncias e momentos, tentando saciar os seus desejos, tentando morrer, por te encontrar. Por entre a multidão, atravessa corpos, perscruta almas, sentindo o ritmo aos corações, tentando adivinhar-te.
Agora, no instante em que encontro perante mim, sinto o teu coração palpitar, sinto a tua alma abraçar-me, abre-se entre nós um mundo secreto que há muito julgavamos esquecido. Não quero deixar-te partir.